Lembrete

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Lembrete para cada dia..

Por onde passares deixa pegadas, não cicatrizes.

Até breve

L.O

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O dia em que conheci a Infância

2015/11/05

Quando entrei esta manhã no comboio estava longe de imaginar a surpresa que teria.
Havia apenas um lugar vazio na carruagem. Deixei-me estar em pé. De sorriso no rosto olhou para mim e perguntou:
– não quer sentar?
– Não, mas obrigada por perguntar – respondi.
Mal se sentou, a jovem que estava no lugar ao lado, levantou-se para sair e ela sem pensar duas vezes, sentou-se no banco que havia ficado vago e deu duas palmadas no assento a sorrir para mim: – agora este é pra si.
Grata pelo gesto sentei-me ao lado desta senhora que me cativou desde o primeiro dia em que a vi.
É ainda mais bonita perto.
Falou-me um pouco da vida dela, das amizades que já fez ali no comboio.
Deu uma gargalhada quando lhe perguntei se trabalhava no Porto.
– oh minha querida, estou reformada. Tenho 80 anos. Nem mais nem menos. Não parece? – perguntou de sorriso nos lábios.
Fiquei de queixo caído.
Disse-me que acha que o segredo é não parar. Deita-se à 1 da manhã e às 4h já está acordada e ansiosa por sair da cama.
Vem para o Porto assistir à missa e ajudar no que for possivel.
Foi muito feliz até ao dia em que um Avc lhe roubou o amor da sua vida e pai da sua única filha.
Tinha apenas 45 anos.
Lutou para criar a menina então com 15 anos, pagou a casa, sobreviveu, mas perdeu metade dela.
Passaram 35 anos.
– Faço o que posso para não pensar, mas quando paro..ainda dói. Tenho muitas saudades – disse de lágrimas nos olhos – está cá dentro, sabe?
O meu coração ficou pequenino.
Chegamos a S. Bento. Não dava para continuar a conversar comigo. Tinha o amigo para ajudar. O jovem invisual a quem acompanha todos os dias até ao fim da estação.
Sim.. É isso mesmo que estão a pensar.
Hoje conheci a Infância de 80 anos e garanto que fez o meu dia.

Até breve

L.O

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Colorir os dias

Colorir os dias com olhos de fé.

Escolher amar, mesmo quando posso escolher não o fazer.

Escolher amar sempre.

Escolher pintar o céu de azul quando ele teima em ficar cinzento.

Sorrir.

Perceber que mesmo que não entenda os golpes duros da vida, eles existem para me fortalecer.

Aceitar que todas as coisas acontecem por uma razão.

Ver para além do muro que coloco à minha volta quando me magoam.

Perdoar, sempre.

Acreditar sempre que o colo de Deus está lá, mesmo quando sinto que o caminho é feito a pé, por mim.

Entender que nada me pertence, apenas a ilusão disso.

Assumir que não posso mudar o que me acontece, mas sim a forma como enfrento, com coragem e fé.

Ser grata, todos os dias.

Até breve

L.O

Hand holding a heart
Hand holding a heart

Memórias que perduram

A memória é uma das capacidades mais incríveis que o ser humano possui.
É também uma das capacidades que vamos perdendo à medida que vamos envelhecendo.
Ao longo destes 38 anos que já vivi muitas são as memórias que guardo.
Algumas doces, algumas menos boas, algumas que espero nunca esquecer outras que gostava de poder apagar.
Hoje enquanto procurava uma fotografia, encontrei no baú algo me fez recuar até aos meus 8 anos de idade.
Guardo na memória os 4 anos de escola primária como algo que me fez muito feliz.
Menina dos papás assumida, foi com terrível desgosto que o vi o meu pai deixar-me pela primeira vez na escola primária da Amorosa, em 1983.
– Não quero ficar aqui. Quero ir para casa contigo – lembro-me de dizer.
Escusado será dizer que o meu desejo foi em vão.
Imagino que para o meu pai também não tenha sido fácil afastar-se enquanto me ouvia chorar.
A verdade é que fui muito feliz com a turma onde fui colocada.
Ainda hoje nutro uma estima muito grande pela D.Elizabete, uma professora querida e amiga dos alunos.
Olho para esta foto e infelizmente não tenho contacto com nenhum destes colegas, porém
consigo lembrar-me de 50% dos nomes e das personalidades.
Os das asneiras, os fala barato, as tímidas, as marias rapaz (grupo onde pertencia) e aqueles que faziam sempre queixa à professora.
Olho para esta foto e salta-me à vista duas coisas que ainda hoje mantenho: o sorriso feliz e o cabelo despenteado:)
Sou profundamente abençoada por ter tido uma infância feliz e amada e sou grata pelas memórias felizes que guardo desses tempos.
Com este blogue pretendo também criar memórias
Um dia, mesmo que já não me lembro de quem eu sou, acredito que irei sorrir ao ler cada um destes posts.

Até breve.

L.O

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Em bicos de pés

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Se a vida é feita de opções, então escolho ser paciente.

A vida cobra demasiado aos impacientes, aos que andam sempre ansiosos, aos que de um dia para o outro querem tudo.

Ao longo de 38 anos a vida tem-me cobrado por causa da minha falta de paciência.

Frustração, lágrimas, dor, tudo tão desnecessário quando aprendemos a esperar e a acreditar pacientemente que tudo tem um propósito.

A verdade é que criamos demasiadas expectativas. Sonhamos muito, às vezes demasiado alto para a nossa estatura e queremos, a todo o custo, ficar em bicos de pés, como bailarinas, tentando chegar àquele lugar que tanto desejamos.

Mas às vezes não chegamos.. nem em bicos de pés.

Ficamos desiludidos, acreditamos que seria agora, porque merecemos, porque nos esforçamos, porque os outros conseguiram, porque faz sentido (mesmo que seja apenas para nós), porque sim.

E no meio de tanta ansiedade, de tantos planos, de tantos sonhos e tanta expectativa, de tantos porque eu ou porque não eu esquecemos de olhar para cima, lugar de todas as respostas.

Então se a minha vida é feita de escolhas, escolho lutar para ser paciente sempre que a vida  puxar o tapete debaixo dos meus pés.

A paciência carrega em si a serenidade de acreditar que tudo vai ficar bem, que as nossas feridas vão sarar, que os sonhos não realizados serão substituídos por outros que jamais ousamos sonhar.

Escolho ser paciente, mesmo que os meus sonhos nunca cheguem a ganhar a forma que sonhei.

Até breve.

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.”

Eclesiastes 3:1 – Bíblia Sagrada

L.O