Afortunada.

Fui apanhar amoras com o meu pai. Não foi a primeira vez. Eu e a minha irmã temos bem guardado na memória os verões passados na aldeia, os banhos no tanque, as brincadeiras com os primos e as amoras, apanhadas por nós para os nossos pais fazerem o doce para os dias de férias que tínhamos pela frente.Em bom rigor tenho de assumir que quem realmente tinha o trabalho de as apanhar era o meu pai. Nós corríamos, brincávamos e falávamos muito, mas amoras apanhávamos poucas.

Hoje, 30 anos depois, percebi que quase nada mudou! O meu pai continua a arranhar-se todo para apanhar as melhores amoras, continua a ser o melhor companheiro de sempre para qualquer aventura e eu continuo a sentir a mesma alegria por ir com ele. 

Há dias quase perfeitos e hoje foi um deles ( porque faltaram os mais novos da história, a minha irmã e primo).

De repente, ali estava eu, como se tivesse 10 anos, com a vida toda pela frente, a tagarelar todo o caminho, a rir com o meu primo, a lembrar com o meu pai as frases dos filmes portugueses que já sabemos de cor, tantas foram as vezes que os vimos, a tomar banho no tanque, a apanhar tomates com a minha mãe, dar-lhe gozo e vê-la sorrir e a dizer, com o mesmo tom de sempre: estás aqui estás a levar uma lamparina. 

A vida está diferente. Já não temos 10 anos, já temos as nossas próprias famílias e já não podemos passar os verões dentro do tanque, a brincar ou apanhar amoras sem preocupações, mas as memórias e o que guardamos no coração, lembram-nos todos os dias que a vida é boa, apesar dos nãos e dos tropeços que também traz. 

Nestas alturas só podes ser grata por seres tão feliz. 

Sou afortunada ❤️

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Tenta/acredita outra vez

Permanece firme e forte.

Deixa ir tudo o que sabes que não podes mudar e aceita que há batalhas que não poderás vencer.

Não desistas.. quando uma porta se fecha é porque algures uma janela se abriu. Procura.

Foge do ruído..experimenta o silêncio para que possas ouvir o que ainda não conseguiste.

Aceita que não és dono das certezas e das verdades absolutas.

Aprecia as coisas simples.

Desliga do mundo que te convence que tudo é urgente e te rouba a paz.

Molha mais os pés no mar.

Sorri mais, reclama menos.

Confia sempre.

Agradece sempre.

Ama os que te amam como se amanhã tivessem de partir.

Guarda os momentos inesquecíveis para os dias em que as lágrimas tomem conta do teu rosto.

Aprende que nem todas as lutas valem a pena.

Vai, além do que achas ser capaz..e se der medo..vai mesmo assim.

Coisas boas sempre acontecem.

Não deixes que o medo e os outros te convençam do contrário.

L.O

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Aprender de Cor quem Amamos

Aproveitar bem cada segundo.

Não desperdiçar tempo nem energia em coisas que nos fazer marcar passo ou que nos esgotam a paciência.

Entender que nada realmente nos pertence…nem o tempo, nem aqueles a quem queremos agarrar para sempre.

” Comportamo-nos como se as pessoas de quem gostamos fossem durar para sempre. Em vida não fazemos nunca o esforço consciente de olhar para elas como quem se prepara para lembrá-las. Quando elas desaparecem, não temos delas a memória que nos chegue. Para as lembrar, que é como quem diz, prolongá-las. A memória é o sopro com que os mortos vivem através de nós. Devemos cuidar dela como da vida.
Devemos tentar aprender de cor quem amamos. Tentar fixar. Armazená-las para o dia em que nos fizerem falta. São pobres as maneiras que temos para o fazer, é tão fraca a memória, que todo o esforço é pouco. Guardá-las é tão difícil. Eu tenho um pequeno truque. Quando estou com quem amo, quando tenho a sorte de estar à frente de quem adivinho a saudade de nunca mais a ver, faço de conta que ela morreu, mas voltou mais um único dia, para me dar uma última oportunidade de a rever, olhar de cima a baixo, fazer as perguntas que faltou fazer, reparar em tudo o que não vi; uma última oportunidade de a resguardar e de a reter. Funciona.”
Miguel Esteves Cardoso, in ‘As Minhas Aventuras na República Portuguesa’
L.O
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