Sobre a coragem..

Quando no peito carregamos um mar revolto.

Quando as nossas perguntas ficam sem resposta (ou a resposta não é a que esperamos).

Quando nos sentimos fracos demais para lutar.

Quando o silêncio é ensurdecedor.

Quando tudo nos parece demasiado pesado para carregar.

Quando a falta de gratidão dos outros nos atinge, em cheio no coração.

Quando ainda não entendemos o tempo certo para falar e estar calada.

Quando a mudança nos faz sentir medo.

Quando respiramos devagarinho para não espantar os nossos sonhos.

Quando decidimos fazer o nosso caminho, mesmo que ninguém nos possa acompanhar.

Quando a saudade nos leva pela mão por lugares que não queremos percorrer.

Quando temos de arrumar o coração e não sabemos por onde começar.

Quando sabemos que temos de aceitar o que vier, mas não temos certeza se somos suficientemente corajosos para isso.

Então…

Fechamos os olhos, tentamos esquecer o ruído e esperamos ouvir a voz de Deus a sussurrar: cada coisa vem no tempo certo e não esperes coisas pequenas de um Deus tão grande.

L.O

Anúncios

Vale a pena falar de amor?

Vale a pena falar de amor quando olhamos para o mundo como está e só vemos maldade?

Vale a pena falar de amor, quando já nem sequer suportamos ver noticias, tamanha é a crueldade a que assistimos?

Vale a pena falar de amor, quando vivemos o nosso dia a dia rodeados de maledicência, intriga, inveja, fofoquice?

Sim, vale a pena. Mas vale ainda mais a pena, amar, porque o mal só triunfa quando os bons se calam e nada fazem!

Mas que seja amor de verdade. Amor que sofre, amor que acredita, amor que é tolerante, que não é invejoso, amor que perdoa.

E como o mundo precisa de amor..

«O amor quando é amor fica. Fica e dá a mão, fica e apanha os cacos todos, fica para dizer que o amanhã vai ser melhor ainda que minta, fica porque se veste de esperança. O amor quando é amor precisa de ver o outro sorrir e é só assim que se respira fundo, bem e sempre. Precisa de sentir que é responsável por parte da felicidade do outro, precisa de surpreender, precisa de abraçar, às vezes precisa só de estar perto ainda que não diga nada porque é no silêncio dos que se amam que se descobrem os maiores segredos do mundo e se resolvem os maiores mistérios da vida.

O amor quando é amor não inveja, não se aflige com a grandeza do outro, admira-o como uma obra de arte, rega-o e fica a vê-lo crescer, por vezes fica na sombra do outro, não porque tenha menos luz mas porque no amor há dias em que um descansa debaixo do outro. O amor quando é amor aplaude o outro, não se importa de ser espectador dos seus feitos e testemunha das suas conquistas.»

| in, o amor quando é amor – carolina deslandes |

 

img_3184

Olhar com olhos de esperança

” Dois homens, ambos gravemente doentes, estavam no mesmo quarto de hospital. Um deles podia sentar-se na sua cama durante uma hora, todas as tardes, para que os fluidos circulassem nos seus pulmões.
A sua cama estava junto da única janela do quarto.
O outro homem tinha de ficar sempre deitado de costas.
Os homens conversavam horas a fio. Falavam das suas mulheres, famílias, das suas casas, dos seus empregos, onde tinham passado as férias…E todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava,passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto todas as coisas que conseguia ver do lado de fora da janela.
O homem da cama do lado começou a viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a actividade e cor do mundo do lado de fora da janela.
A janela dava para um parque com um lindo lago. Patos e cisnes, chapinhavam na água enquanto as crianças brincavam com os seus barquinhos. Jovens namorados caminhavam de braços dados por entre as flores de todas as cores do arco-íris. Árvores velhas e enormes acariciavam a paisagem e uma ténue vista da silhueta da cidade podia ser vislumbrada no horizonte. Enquanto o homem da cama perto da janela descrevia isto tudo com extraordinário pormenor, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava as pitorescas cenas.
Um dia, o homem perto da janela descreveu um desfile que ia a passar:
Embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, conseguia vê-la e ouvi-la na sua mente, enquanto o outro senhor a retratava através de palavras bastante descritivas. Dias e semanas passaram. Uma manhã,a enfermeira chegou ao quarto trazendo água para os seus banhos, e encontrou o corpo sem vida, do homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia.
Ela ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital para que levassem o corpo.
Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser colocado na cama perto da janela. A enfermeira disse logo que sim e fez a troca.
Depois de se certificar de que o homem estava bem instalado, a enfermeira deixou o quarto.
Lentamente, e cheio de dores, o homem ergueu-se, apoiado no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora. Fez um grande esforço e lentamente olhou para o lado de fora da janela que dava, afinal, para uma parede de tijolo!
O homem perguntou à enfermeira o que teria feito com que o seu falecido companheiro de quarto lhe tivesse descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela.
A enfermeira respondeu que o homem era cego e nem sequer conseguia ver a parede. Talvez quisesse apenas dar-lhe coragem…” 

A dor partilhada é metade da tristeza, mas a felicidade, quando partilhada, é dobrada.

311926092c57d42ad6b7ef2907d97959