«Não se vê, sente-se. Não se mede, não se pesa, não se toca, não se cheira. Sente-se! Aquilo que é realmente importante acontece num plano não palpável. Não visível. É de dentro. É o que transborda sem se ver. É o que nos move. Ou deveria mover.»

 

Antoine de Saint-Exúpery
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Nós, os novos

Cheguei por volta das 9 horas como me tinham dito para fazer.

As mãos tremiam de ansiedade e estava nervosa.

Tinha 19 anos apenas e estava cheia de vontade de iniciar o estágio que tinha conseguido, num infantário, depois de terminar um curso de animação sócio-cultural pelo centro de emprego.

Cheguei ao edifício do centro paroquial do Padrão da Légua e esperei que me recebessem.

Finalmente alguém se dirigiu a mim e disse-me que em virtude da responsável por me receber não se encontrar a trabalhar nessa semana eu iria ter de ficar, não no infantário, mas no lar de idosos.

Fiquei sem reação…

– Idosos? mas eu não me preparei para essa faixa etária! Eu tenho dom para as crianças, pensei.

Incrédula e sem saber o que pensar disseram para regressar no dia seguinte.

Cheguei a casa e chorei no colo da minha mãe, literalmente!

– Não vou conseguir! O que vou eu dizer aos idosos? O que vou eu fazer? Não quero ir.

Como sempre, os pais maravilhosos que tenho me encorajaram e animaram e no dia seguinte lá me apresentei.

Eram muitas as pessoas que viviam no lar.

Tantas e tão diferentes..

Passou a minha primeira semana e a pessoa que estava responsável pelo meu estágio chegou e disse:

– Lídia, amanhã já pode apresentar-se no infantário  para iniciar o seu estágio com as crianças.

Mas já não era possível..o meu coração já estava ali, naquele lugar, com aqueles homens e mulheres com mais de 70 anos.

No fim do estágio fiquei ali a trabalhar.

Juntos fizemos coisas extraordinárias que jamais esquecerei.

Com eles aprendi a ser paciente, a ouvir mais e falar menos, a escutar mil e uma vezes a mesma história, se fosse necessário, apenas porque se esqueceram que já me tinham contado.

 Com eles fiquei a perceber a dor do abandono, a perceber como o ser humano pode ser verdadeiramente cruel com as pessoas de idade.

Com eles aprendi que a idade do corpo não tem de ser a idade da alma.

Com eles fui feliz!

Por eles fui mimada, acarinhada.

Com eles cresci, sorri.

Por eles chorei muitas vezes..por os ver sofrer com a ausência dos filhos que muitas vezes os “despejavam” no lar, ou por causa da dor causada pelas doenças.

Durante  4 anos muitos deles partiram, deixando um vazio e uma saudade enorme.

Saí de coração cheio, grata pelo amor que pude receber e feliz por saber que retribuí o amor, o carinho e o mimo, sempre que pude.

No dia seguinte ao programa da sic que abordou os maus tratos aos idosos, só podia partilhar convosco tudo isto que escrevi.

Já não tenho 19 anos.

Não sei como será a minha vida.

Apenas sei que se os meus filhos me amarem como amo os meus pais, me ligararem as vezes que ligo ou estiverem comigo sempre que puderem como faço com os meus, então serei feliz, porque saberei que sou amada.

Se tiver de ir para um lar e encontrar o carinho com que tratei os idosos do lar mãe de Jesus, então serei feliz, porque serei respeitada.

É que, sabem, nós os novos seremos velhos um dia.

Até breve.

L.O

Uma gota só

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Mafalda Veiga, uma das minhas cantoras de eleição, tem uma letra que diz:

Não importa se às vezes tudo é breve como um sopro, não importa se for uma gota só,de loucura que faça oscilar o teu mundo e desfaça a fronteira entre a lua e o sol

Às vezes acho que não temos real noção do nosso papel neste mundo e no poder que realmente temos.

Mais fácil reclamar que elogiar.

Mais fácil desistir que lutar.

Mais fácil passar a bola para os outros do que assumir responsabilidades.

Mais fácil culpar o mundo do que assumir as nossas culpas.

A vida é breve aqui..mesmo que sigas todas as regras que supostamente o mundo te dá como certas para uma vida saudável, não te iludas..a vida é como um sopro.

Demasiado curta para amargurar, desistir, reclamar, atacar, murmurar ou maltratar.

Fazemos um pacto?

Que tal cada um de nós começar a mudar os verbos?

Adoçar, resistir, conquistar, abraçar, elogiar ou cuidar.

A verdade é que da mesma forma que basta uma gota de veneno para estragar todo um balde de água pura, uma gota de bondade, de alegria e de amor num mundo onde o ódio cada vez mais impera fará toda a diferença.

A questão é: qual das duas gotas estamos a ser?

Até breve

L.O

 

Leva-me pela mão

Guarda bem perto quem não permite que caminhes sozinha principalmente quando o caminho é difícil.
Guarda bem perto, de preferência no teu coração, aqueles que jamais te largam a mão.
Que te valorizam apesar da tua imperfeição, que te incentivam apesar dos teus receios, que te aceitam como és e não como gostariam que fosses.
Guarda bem e não os deixes fugir.
É preciso coragem para não largar a mão. Muitas pessoas podem prometer mas poucas serão capazes de cumprir; mas são essas que deves guardar, que valem a pena.
Retribui com gratidão, respeito e amor.
São poucas?
Sim, são muito poucas, mas são as únicas pessoas que te merecem.

Até breve

L.O

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ver para além do arco-íris

A malta do norte já sabe (apesar de não se conformar) que não pode habituar-se aos dias de sol e fins de tarde amenos que nos permite estar sentados numa esplanada à beira mar a ver o pôr do sol.

O norte tem uma mania muito grande de misturar dias de sol com dias de chuva intensa.

Ontem fiquei contente por ter conseguido chegar a casa sem apanhar molha. Não estava minimamente vestida ou calçada para frio ou chuva.

As nuvens escuras que me acompanharam durante todo o trajeto fizeram-me temer que não fosse escapar ao temporal que o serviço de meteorologia prometia para estes dias.

Às vezes na nossa vida também somos acompanhados de nuvens bem negras que chegam sem estarmos a contar com elas.

Por mais que corramos ou nos tentemos desviar, a verdade é que às vezes somos apanhados mesmo no meio do temporal.

Às vezes a vida dá uma volta demasiado longa, colocando-nos em lugares onde não queríamos ir, levando-nos a sentir o que nunca nos preparamos para sentir.

E aí duvidamos..

que a tempestade vai passar, que seremos capazes de superar, que o sol um dia sempre volta a brilhar, por mais feia que seja a tempestada.

Até ao dia em que o arco-íris surge e tu percebes..

Percebes que nada é tão grande que não possas superar

Percebes que apenas porque viste as nuvens escuras, consegues dar valor ao arco-íris.

Percebes que o Deus que fez o arco-íris para nos lembrar que a tempestade um dia vai passar, é o mesmo Deus que te segura quando os ventos que fustigam a tua vida são demasiado fortes.

Percebes que basta ter fé.

Então limpa as lágrimas

Sacode a mágoa do teu coração

Veste-te de alegria e optimismo

e CONFIA.

Até breve.

L.O

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Fortuna pessoal

Não ambicionei ser rica. Aconteceu, não porque seja sempre merecedora mas porque temos realmente sempre mais do que merecemos.
A verdade é que quando temos uma fortuna como a minha temos de ser responsáveis por ela ou corremos o risco de a perder.
Já fiz transações erradas, investimentos que afinal não foram como tinha idealizado, mas felizmente a minha fortuna conseguiu permanecer intacta apesar da crise.
Tenho uma família maravilhosa! Sou amada e amo muito os meus.
Tenho poucos amigos mas os que tenho são incríveis.
No meio desta crise de afectos que vivemos cada vez que ganhamos alguém na nossa vida que nos faz bem, enriquecemos a nossa fortuna pessoal e essas pessoas surgem sempre quando menos esperamos.
As vezes também perdemos. Faz parte da vida.

Pessoas que nos são roubadas pela morte, outras que optam por sair.

Há pessoas que nos roubam e outras que nos devolvem

Importante é perceber que cada uma delas nos enriqueceu, seja pela lição que nos deu ao apostarmos num investimento sem retorno ou pelo bom que trouxe à nossa vida.
Importante é que as pessoas sintam que te preocupas, que as amas, que oras por elas.
Importante é que não permitas que a vida te engula e te faça deixar aquele telefonema para amanhã, aquela visita para outro dia, aquele café que está marcado e remarcado e nunca acontece.

Importante é que não fiques agarrado ao passado e esqueças o futuro.
Perdes demasiadas vezes o pôr do sol, passas demasiadas horas a trabalhar sem que te valorizem por isso, perdes saúde, perdes anos de vida.

A mim por vezes a vida engole-me e percebo que perdi tempo que jamais voltarei a ter.
Está nas minhas mãos mudar isso. Afinal a fortuna é minha!
Não tenho dinheiro no banco ou debaixo do colchão mas acreditem sou mesmo, mesmo rica.

Tenho AMOR:

  • de Deus
  • da família
  • dos amigos

Até breve.

L.O

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