Fé perdida

Perguntaram-me um dia, a propósito de um texto meu,  como se recupera a fé perdida.

Como se deixa de estar zangado com Deus porque não ouviu as nossas orações?

Como se perdoa quando Ele permitiu aquilo que mais temíamos?

Há uns bons anos que peço a Deus que realize o maior sonho que tenho.

A resposta tem sido não, sucessivamente.

Ele escuta o que peço, disso não tenho dúvidas, mas o sim que desejo, não aparece.

A questão é que nem sempre a resposta às nossas orações pode ser sim..

Na nossa incapacidade de vermos o futuro, torna-se doloroso esperar e entender as respostas de Deus.

Na nossa incapacidade de sabermos o que a vida nos reserva lá mais para a frente, somos tentados a aceitar como certo, que aquilo que desejamos é de facto o melhor para nós.

Seria tão mais fácil, se pudéssemos com o comando da box, avançar para a frente na nossa vida, apenas para dar uma espreitadela..

Aí sim, entenderíamos tanta coisa e tanta dor seria evitada e os não que recebemos fariam sentido.

Tenho um sonho, que não sei se vou realizar.

Se dói? Dói muito..

Se compreendo? Não..

Se já questionei Deus? Tantas vezes..

Porque não perco a fé?

Porque na balança entre o que peço e não recebo e o que tenho de bom que nem sempre mereço, esta ultima opção vence sem margem para dúvidas.

Porque não perco a fé?

Porque Deus já me livrou de tanta coisa que poderia ter sido terrível para mim, se Ele tivesse dito sim aos meus pedidos.

Será que o número de vezes que agradecemos a Deus pelo bom que nos dá, é maior que as vezes que nos entristecemos/revoltamos com o que Ele permite que deixemos de ter?

Porque será que quando tudo vai bem, não nos lembramos de Deus, mas quando tudo desaba, não entendemos porque não nos escuta?

Viver é dificil, principalmente quando carregamos fardos que não devíamos carregar.

Aprender  a esperar, mesmo sem compreender, não é fácil, mas talvez seja o segredo para tornar os dias mais leves.

Quando o coração está quebrado, tudo dói.

Mas o amor cura. O perdão cura.

E Deus nunca desiste de esperar que O procuremos, de verdade, todos os dias e não apenas quando tudo desabou.

Ele não quer um relacionamento de SOS. Ele quer um relacionamento permanente e duradouro. Quando tudo está bem e quando tudo está mal.

A fé recupera-se percebendo que somos demasiado frágeis para viver sem Cristo e que todos os dias temos muito mais do que merecemos.

Nem sempre Deus vai mostrar o chão que vamos pisar, mas a mão Dele vai estar lá.

L.O

fé

Anúncios

Afortunada.

Fui apanhar amoras com o meu pai. Não foi a primeira vez. Eu e a minha irmã temos bem guardado na memória os verões passados na aldeia, os banhos no tanque, as brincadeiras com os primos e as amoras, apanhadas por nós para os nossos pais fazerem o doce para os dias de férias que tínhamos pela frente.Em bom rigor tenho de assumir que quem realmente tinha o trabalho de as apanhar era o meu pai. Nós corríamos, brincávamos e falávamos muito, mas amoras apanhávamos poucas.

Hoje, 30 anos depois, percebi que quase nada mudou! O meu pai continua a arranhar-se todo para apanhar as melhores amoras, continua a ser o melhor companheiro de sempre para qualquer aventura e eu continuo a sentir a mesma alegria por ir com ele. 

Há dias quase perfeitos e hoje foi um deles ( porque faltaram os mais novos da história, a minha irmã e primo).

De repente, ali estava eu, como se tivesse 10 anos, com a vida toda pela frente, a tagarelar todo o caminho, a rir com o meu primo, a lembrar com o meu pai as frases dos filmes portugueses que já sabemos de cor, tantas foram as vezes que os vimos, a tomar banho no tanque, a apanhar tomates com a minha mãe, dar-lhe gozo e vê-la sorrir e a dizer, com o mesmo tom de sempre: estás aqui estás a levar uma lamparina. 

A vida está diferente. Já não temos 10 anos, já temos as nossas próprias famílias e já não podemos passar os verões dentro do tanque, a brincar ou apanhar amoras sem preocupações, mas as memórias e o que guardamos no coração, lembram-nos todos os dias que a vida é boa, apesar dos nãos e dos tropeços que também traz. 

Nestas alturas só podes ser grata por seres tão feliz. 

Sou afortunada ❤️

Tenta/acredita outra vez

Permanece firme e forte.

Deixa ir tudo o que sabes que não podes mudar e aceita que há batalhas que não poderás vencer.

Não desistas.. quando uma porta se fecha é porque algures uma janela se abriu. Procura.

Foge do ruído..experimenta o silêncio para que possas ouvir o que ainda não conseguiste.

Aceita que não és dono das certezas e das verdades absolutas.

Aprecia as coisas simples.

Desliga do mundo que te convence que tudo é urgente e te rouba a paz.

Molha mais os pés no mar.

Sorri mais, reclama menos.

Confia sempre.

Agradece sempre.

Ama os que te amam como se amanhã tivessem de partir.

Guarda os momentos inesquecíveis para os dias em que as lágrimas tomem conta do teu rosto.

Aprende que nem todas as lutas valem a pena.

Vai, além do que achas ser capaz..e se der medo..vai mesmo assim.

Coisas boas sempre acontecem.

Não deixes que o medo e os outros te convençam do contrário.

L.O

16114491_1251253524967959_7522182348068836568_n

 

Aprender de Cor quem Amamos

Aproveitar bem cada segundo.

Não desperdiçar tempo nem energia em coisas que nos fazer marcar passo ou que nos esgotam a paciência.

Entender que nada realmente nos pertence…nem o tempo, nem aqueles a quem queremos agarrar para sempre.

” Comportamo-nos como se as pessoas de quem gostamos fossem durar para sempre. Em vida não fazemos nunca o esforço consciente de olhar para elas como quem se prepara para lembrá-las. Quando elas desaparecem, não temos delas a memória que nos chegue. Para as lembrar, que é como quem diz, prolongá-las. A memória é o sopro com que os mortos vivem através de nós. Devemos cuidar dela como da vida.
Devemos tentar aprender de cor quem amamos. Tentar fixar. Armazená-las para o dia em que nos fizerem falta. São pobres as maneiras que temos para o fazer, é tão fraca a memória, que todo o esforço é pouco. Guardá-las é tão difícil. Eu tenho um pequeno truque. Quando estou com quem amo, quando tenho a sorte de estar à frente de quem adivinho a saudade de nunca mais a ver, faço de conta que ela morreu, mas voltou mais um único dia, para me dar uma última oportunidade de a rever, olhar de cima a baixo, fazer as perguntas que faltou fazer, reparar em tudo o que não vi; uma última oportunidade de a resguardar e de a reter. Funciona.”
Miguel Esteves Cardoso, in ‘As Minhas Aventuras na República Portuguesa’
L.O
tempo_