crer sem ver

Acredito em milagres.

Seria tontice não acreditar, olhando para a minha vida ou à minha volta.

Acreditar por fé é talvez das coisas mais difíceis para o ser humano.

Como posso acreditar se não vejo?

Isso serve muitas vezes como argumento para os que não acreditam na existência de Deus.

Ninguém viu Deus, logo Ele não existe.

Bem, também nunca ninguém viu a dor e garanto que se mandar com um tijolo à cabeça de alguém, essa pessoa acredita na dor.

Acreditar em milagres é também confiar na Vontade e Soberania Daquele que faz com que os milagres aconteçam.

Acredito em Deus, porque O Sinto e O vejo nas mais pequenas coisas.

Também acredito na dor, porque a sinto por vezes.

No entanto, a paz que temos quando acreditamos sem ver, é incrível.

Há coisas que não são possiveis de entender.

É natural que assim seja.. Conhecemos o nosso passado e presente, mas o nosso futuro, esse, está completamente fora do nosso alcance visual.

Planeamos é certo, mas que garantias temos que chegaremos ao dia de amanhã?

Podemos sonhar e nunca ver os nossos sonhos realizados, por maior e firme que seja a nossa luta.

Ou podemos sonhar e apesar de parecer impossivel aos olhos humanos, o milagre acontecer.

Garantidamente, a primeira realidade será doloroso se não tivermos a capacidade de acreditar sem ver, de confiar sem certeza alguma do que virá e de esperar sem qualquer dúvida, que o que vem, será sempre melhor do que sonhamos.

Jesus olhou para eles e respondeu: “Para o homem é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis”.

Mateus 19:26

L.O

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Foi o silêncio que contou.

Há batalhas que se vencem em silêncio e há silêncios que nos fazem perder a vontade de batalhar.
Há silêncios que nunca vamos entender e outros que precisamos aprender a respeitar.
Há silêncios que falam quando as palavras tendem a falhar e há silêncios que nos ensinam a esperar e confiar.
Talvez o silêncio de Deus seja dos mais difíceis de entender.
Por vezes fazemos tantas perguntas, para as quais não estamos preparados para ouvir resposta, que o ruído do silêncio de Deus se torna penoso aos nossos ouvidos.

Como Pai que é, Deus lida connosco de variadas formas e às vezes Ele lida connosco através do silêncio.

Mas Ele responde sempre às questões que Lhe colocamos.

Às vezes sim, outras não e algumas com um penoso, espera ainda não é o tempo certo.

É que não é fácil aceitar que o silêncio também é resposta e o óbvio às vezes é tão simples que até nos confunde.

L.O

Fé perdida

Perguntaram-me um dia, a propósito de um texto meu,  como se recupera a fé perdida.

Como se deixa de estar zangado com Deus porque não ouviu as nossas orações?

Como se perdoa quando Ele permitiu aquilo que mais temíamos?

Há uns bons anos que peço a Deus que realize o maior sonho que tenho.

A resposta tem sido não, sucessivamente.

Ele escuta o que peço, disso não tenho dúvidas, mas o sim que desejo, não aparece.

A questão é que nem sempre a resposta às nossas orações pode ser sim..

Na nossa incapacidade de vermos o futuro, torna-se doloroso esperar e entender as respostas de Deus.

Na nossa incapacidade de sabermos o que a vida nos reserva lá mais para a frente, somos tentados a aceitar como certo, que aquilo que desejamos é de facto o melhor para nós.

Seria tão mais fácil, se pudéssemos com o comando da box, avançar para a frente na nossa vida, apenas para dar uma espreitadela..

Aí sim, entenderíamos tanta coisa e tanta dor seria evitada e os não que recebemos fariam sentido.

Tenho um sonho, que não sei se vou realizar.

Se dói? Dói muito..

Se compreendo? Não..

Se já questionei Deus? Tantas vezes..

Porque não perco a fé?

Porque na balança entre o que peço e não recebo e o que tenho de bom que nem sempre mereço, esta ultima opção vence sem margem para dúvidas.

Porque não perco a fé?

Porque Deus já me livrou de tanta coisa que poderia ter sido terrível para mim, se Ele tivesse dito sim aos meus pedidos.

Será que o número de vezes que agradecemos a Deus pelo bom que nos dá, é maior que as vezes que nos entristecemos/revoltamos com o que Ele permite que deixemos de ter?

Porque será que quando tudo vai bem, não nos lembramos de Deus, mas quando tudo desaba, não entendemos porque não nos escuta?

Viver é dificil, principalmente quando carregamos fardos que não devíamos carregar.

Aprender  a esperar, mesmo sem compreender, não é fácil, mas talvez seja o segredo para tornar os dias mais leves.

Quando o coração está quebrado, tudo dói.

Mas o amor cura. O perdão cura.

E Deus nunca desiste de esperar que O procuremos, de verdade, todos os dias e não apenas quando tudo desabou.

Ele não quer um relacionamento de SOS. Ele quer um relacionamento permanente e duradouro. Quando tudo está bem e quando tudo está mal.

A fé recupera-se percebendo que somos demasiado frágeis para viver sem Cristo e que todos os dias temos muito mais do que merecemos.

Nem sempre Deus vai mostrar o chão que vamos pisar, mas a mão Dele vai estar lá.

L.O

fé

Afortunada.

Fui apanhar amoras com o meu pai. Não foi a primeira vez. Eu e a minha irmã temos bem guardado na memória os verões passados na aldeia, os banhos no tanque, as brincadeiras com os primos e as amoras, apanhadas por nós para os nossos pais fazerem o doce para os dias de férias que tínhamos pela frente.Em bom rigor tenho de assumir que quem realmente tinha o trabalho de as apanhar era o meu pai. Nós corríamos, brincávamos e falávamos muito, mas amoras apanhávamos poucas.

Hoje, 30 anos depois, percebi que quase nada mudou! O meu pai continua a arranhar-se todo para apanhar as melhores amoras, continua a ser o melhor companheiro de sempre para qualquer aventura e eu continuo a sentir a mesma alegria por ir com ele. 

Há dias quase perfeitos e hoje foi um deles ( porque faltaram os mais novos da história, a minha irmã e primo).

De repente, ali estava eu, como se tivesse 10 anos, com a vida toda pela frente, a tagarelar todo o caminho, a rir com o meu primo, a lembrar com o meu pai as frases dos filmes portugueses que já sabemos de cor, tantas foram as vezes que os vimos, a tomar banho no tanque, a apanhar tomates com a minha mãe, dar-lhe gozo e vê-la sorrir e a dizer, com o mesmo tom de sempre: estás aqui estás a levar uma lamparina. 

A vida está diferente. Já não temos 10 anos, já temos as nossas próprias famílias e já não podemos passar os verões dentro do tanque, a brincar ou apanhar amoras sem preocupações, mas as memórias e o que guardamos no coração, lembram-nos todos os dias que a vida é boa, apesar dos nãos e dos tropeços que também traz. 

Nestas alturas só podes ser grata por seres tão feliz. 

Sou afortunada ❤️

Tenta/acredita outra vez

Permanece firme e forte.

Deixa ir tudo o que sabes que não podes mudar e aceita que há batalhas que não poderás vencer.

Não desistas.. quando uma porta se fecha é porque algures uma janela se abriu. Procura.

Foge do ruído..experimenta o silêncio para que possas ouvir o que ainda não conseguiste.

Aceita que não és dono das certezas e das verdades absolutas.

Aprecia as coisas simples.

Desliga do mundo que te convence que tudo é urgente e te rouba a paz.

Molha mais os pés no mar.

Sorri mais, reclama menos.

Confia sempre.

Agradece sempre.

Ama os que te amam como se amanhã tivessem de partir.

Guarda os momentos inesquecíveis para os dias em que as lágrimas tomem conta do teu rosto.

Aprende que nem todas as lutas valem a pena.

Vai, além do que achas ser capaz..e se der medo..vai mesmo assim.

Coisas boas sempre acontecem.

Não deixes que o medo e os outros te convençam do contrário.

L.O

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